ANTI-SÉPTICOS BUCAIS DEVEM SER USADOS ROTINEIRAMEN

Atualmente, tem sido dado grande enfoque à promoção de saúde bucal, e os anti-sépticos bucais têm sido muito utilizados com esse propósito.

Apesar de os cirurgiões-dentistas usarem muito esses fármacos, há uma grande polêmica ao seu redor. Existem algumas linhas de pensamento que não recomendam o seu uso.

Esses medicamentos são utilizados através de bochechos e oferecem uma boa distribuição dos agentes ativos na cavidade bucal. Os princípios ativos mais utilizados são a clorexidina, o cloreto de cetilpiridínio e os agentes fenólicos, sendo a clorexidina o princípio ativo mais eficaz ( segundo a literatura científica). Suas indicações mais freqüentes são para o controle da placa bacteriana, prevenindo a cárie, gengivite e doença periodontal através da supressão dos microorganismos que causam a doença nos casos em que o controle mecânico da placa (escovação e fio dental) não se mostrou eficaz. Esses fármacos estão sendo apresentados com informações deficientes, subestimando suas indicações, seus riscos e seus benefícios.

O uso constante desses medicamentos pode levar a algumas reações adversas. Os efeitos indesejáveis mais comuns são manchas em dentes e restaurações, que são solucionados com a descontinuidade do uso ou através de limpeza profissional. Outra reação que pode ocorrer é a irritação da mucosa bucal devido a hipersensibilidade, a qual será solucionada através da suspensão do uso do medicamento. O uso contínuo desses fármacos é contra-indicado para pacientes que apresentam hipersensibilidade prévia ao medicamento, pacientes que apresentem um controle mecânico eficaz de placa e pacientes que não sejam capazes de utilizar o medicamento sem acompanhamento (perigo de deglutição).

Apesar de esses fármacos serem muito úteis em diversas áreas da odontologia, seu uso deve ser racional, ou seja, indicado somente nos casos necessários, fazendo-se um acompanhamento do paciente para observar eventuais reações adversas, bem como a efetividade do tratamento.



Fonte: Paiva, R., "Quais seriam as contra-indicações do uso de anti-sépticos bucais de forma continuada?",revista da APCD, v.54, n. 3 mai./jun. 2000, p.229.